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Nódulo pulmonar

Um nódulo pulmonar corresponde de um modo muito simples a uma “mancha” geralmente branca nos pulmões, portanto, a uma alteração imagiológica que pode ser observada em uma radiografia de tórax ou na TAC torácica. Isto significa que naquela zona do pulmão, o parênquima pulmonar arejado e esponjoso apresenta uma consistência mais sólida.
O nódulo pode ser solitário ou existirem vários, apenas num pulmão ou em ambos.

Um único nódulo pulmonar geralmente não causa sintomas, devido ao seu pequeno tamanho, e por isso normalmente é uma descoberta acidental quando se realiza um daqueles dois exames por qualquer outro motivo.

Existem estudos que revelam taxas de até 50% de descobertas acidentais!

A presença de um ou mais nódulo(s) pulmonar(es) pode significar várias coisas ou não representar nada que deva preocupar a pessoa. No entanto, tudo depende das características que tenha e principalmente da sua evolução ao longo do tempo.

Pode ter vários tamanhos, desde poucos milímetros até perto de 3 cm, valor a partir do qual se denomina de massa.

Na maioria dos casos, um nódulo pulmonar não é maligno. Consiste apena numa cicatriz de uma infeção ou de qualquer outro processo inflamatório que tenha ocorrido no passado a nível pulmonar. 

No entanto é importante sempre ter em consideração que pode ser maligno, ou seja, associado a um cancro. Felizmente estima-se que este valor seja inferior a 5% de todos os nódulos detectados.

Portanto, pode ser oriundo da transformação de células normais em células tumorais com origem pulmonar – o cancro do pulmão – ou consequentes da metastização de células de cancro de outro órgão, como por exemplo estômago, pele, ou intestino.

É mais provável uma origem maligna em pessoas mais idosas, quando o nódulo é grande, se tiver antecedentes de tabagismo ou de outro cancro recente.

Dependendo do nódulo, do tamanho, das suas margens, do seu aspecto e dos factores de risco do doente, o médico deverá, eventualmente utilizando as escalas de avaliação de nódulos pulmonares atualmente existentes, decidir a melhor forma de vigiar ou abordar o nódulo.

As características imagiológicas podem por isso ser um bom indicio para prever o risco de que o nódulo pulmonar possa ser maligno:

  • calcificação sugere doença benigna, particularmente se for central (tuberculoma ou devido a fungo), concêntrica (histoplasmose curada), ou com configuração em pipoca ( hamartoma).
  • Margens espiculadas ou irregulares são mais comuns em doença maligna.
  • Quanto maior o tamanho, maior o risco, principalmente se tiver mais de um centímetro de maior diâmetro.
  • Se estiver no lobo superior acarreta maior risco de malignidade.

Caso seja pequeno ou não haja fatores de risco importantes a nível do doente, pode ser decidido que o melhor é realizar apenas vigilância com TAC torácica de acordo com os protocolos estabelecidos. Se, após o tempo determinado de seguimento, não existir aumento ou aparecimento de novo nódulos, assumimos como hipótese mais provável ser sequelas de uma infeção antiga, se não existir motivo para pensar em outras causas.

Em certos casos, pode ser realizada uma biópsia transtorácica que permite, através de marcação por TAC torácica realizada no mesmo dia, localizar o nódulo e determinar o local onde será inserida uma aguda para colher uma pequena parte do pulmão para análise. Realiza-se assim uma biópsia que, apesar de ser invasiva, normalmente corre bem, podendo muitas vezes o doente ter alta para casa no mesmo dia.

Dentro de condições muito específicas, nomeadamente se o nódulo tiver um tamanho elevado, pode ser necessário ou útil realizar uma PET, que é um exame de Medicina Nuclear. Tem a capacidade de mostrar o funcionamento do organismo, através da administração de uma substância radioativa, por via endovenosa, que quando absorvida, emite radiação que é captada pelo equipamento e transformada em imagem. Este exame só tem validade para nódulos com mais de um centímetro de diâmetro.

Caso o nódulo não capte nada, e tiver mais de 1 centímetro, é provável que se trate de uma sequela ou que seja provocado por algo que “não esteja em atividade”.

Por outro lado, permite esclarecer se só existe alteração a nível daquele nódulo, de modo a avaliar indicação para a realização uma cirurgia em que se remova essa parte do pulmão, caso seja grande o risco de cancro do pulmão.

Não.

Apenas nos casos em que a biópsia seja feita e o resultado seja consistente com alguma doença em concreto é que será realizado tratamento dirigido à causa.

Origem

Quando há dois ou mais nos pulmões, são chamados de nódulos pulmonares “múltiplos”. Também estes são descobertos pela sua observação seja ao nível da radiografia do tórax ou ao nível da TAC.

Existem múltiplas causas para existirem vários nódulos num pulmão.

Para começar, tem de ser sempre excluída a hipótese de existir um tumor maligno – Múltiplos nódulos pulmonares podem ser causados ​​por um cancro que começou em outro órgão do corpo e depois se espalhou para os pulmões. Às vezes, vários nódulos pulmonares são causados ​​por outros tipos de tumor, chamados de linfoma ou sarcoma. Podem também ocorrer por metastização (expansão de células maligna para fora do seu local de formação) de um tumor do próprio pulmão, do mesmo lado, do lado contrário ou em ambos.

Felizmente a maioria tem origem benigna.

Desde infeções, qualquer síndrome ou doença inflamatório que atinja o pulmão, doenças de hipersensibilidade após inalação de substâncias nocivas, cicatrizes de doenças que envolveram pulmão (pneumonia, tuberculose, etc), entre muitas outras.

Diagnóstico

Neste caso, uma boa avaliação médica, com uma boa história clinica e exame objetivos são ainda mais importantes. É importante saber que sintomas a pessoa tem (qualquer que seja) e de que outras doenças o doente padece. É importante perceber que tipo de profissões o doente já exerceu ou se existe alguma exposição a nível do ambiente de casa que possa ser perigosa. 

Sobre o diagnóstico, para além dos exames já referidos anteriormente para o nódulo solitário, existem outros que neste contexto podem ser úteis.

Desde análises ao sangue ou urina, teste de despiste de tuberculose, análises de expectoração, entre outros.

A realização de uma endoscopia às vias aéreas inferiores (broncoscopia) pode ser útil para permitir colher liquido de dentro dos pulmões de modo a ser analisado e, dependendo do que as imagens do TAC revelarem, pode ajudar a excluir ou confirmar a presença de um tumor, através da realização de biópsias.

Caso se considere que existe uma dúvida forte sobre eventual origem maligna ou se não for possível alcançar nenhuma conclusão definitiva, pode ser considerada uma biópsia, como já referida para o nódulo solitário. Uma vez que existem vários nódulos, geralmente escolhe-se o maior e de mais fácil acesso. Caso existam lesões noutros órgão cuja biópsia seja menos invasiva, esta pode ser considerada e privilegiada.

Tratamento

Não. O tratamento a existir é dirigido à doença que os causa.

Revisão: Junho 2022