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Cuidados Paliativos

Os Cuidados Paliativos são uma intervenção multidisciplinar no doente e na sua família, de acordo com as suas necessidades – mais do que com o seu diagnóstico. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o cuidado paliativo como um sistema de recursos que melhoram a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias, na parte terminal da doença, existindo uma esperança de sobrevivência muito curta.

Todas as doenças respiratórias em geral podem potencialmente ser indicação para referenciação para este tipo de cuidados. Entre as indicações mais habituais, referimos a DPOC, a Fibrose Pulmonar ou os tumores do pulmão.

As pessoas que tenham problemas pulmonares graves podem sofrer de sintomas muito limitativos e incomodativos, tais como dor, falta de ar ou tosse. Os Cuidados Paliativos trabalham para melhorar a qualidade de vida, prevenindo ou aliviando esses sintomas e também podem ajudar nas necessidades psicológicas, espirituais ou emocionais da pessoa (mas também dos seus cuidadores ou familiares).

Em Portugal ainda existe uma capacidade muito inferior ao desejado, no entanto, na última década foi feito um esforço a nível de aumento da oferta e da divulgação sobre este tema. Atualmente vários hospitais apresentam unidades próprias e equipas que estão disponíveis para este tipo de cuidados.

As pessoas com doença respiratória podem ter indicação para consulta em Cuidados Paliativos a qualquer momento durante o curso da doença, seja desde altura em que é diagnosticada até ao momento em que atingir-se o tipo de tratamento mais complexo para essa doença. Por outras palavras, desmistificamos que apenas pessoas “em fase terminal” (como muitos doentes pensam) devem ser encaminhados para os Cuidados Paliativos.

Reforçamos que o doente pode estar numa consulta de Cuidados Paliativos e realizar qualquer tipo de tratamentos médicos, incluindo a quimioterapia (se tiver uma neoplasia), radioterapia, broncodilatadores (inaladores), oxigenoterapia ou terapia ventilatória, entre outras.

Apesar de que em certos casos o internamento (temporário) poder ser necessário para uma prestação mais eficaz dos Cuidados Paliativos, estes podem ser geridos em vários tipos de ambientes, desde consulta hospitalar até a teleconsulta.

Nesta consulta existirá um acompanhamento constante do doente, das suas necessidades e problemas, com uma ampla gama de técnicas que podem ajudar a solucionar essas dificuldade.

Uma dessas ferramentas são medicamentos que ajudam a suportar as queixas mais difíceis de lidar. Entre estas, referimos a medicação para tratar os sintomas mas também eventuais efeitos adversos dos tratamentos médicos necessários para controlar a doença respiratória de que o doente padece. Entre estes sintomas/efeitos adversos, referimos a fadiga, náusea, vómitos, diarreia, falta de apetite, dor ou dificuldade para respirar.

Não obstante o que se referiu anteriormente, não deixa de ser verdade que os Cuidados Paliativos tem especial interesse quando a doença é muito grave, muito limitante e quando se tem de pensar no “fim de vida”. Os Cuidados Paliativos são importantes porque ajudam a lidar com os sintomas e sentimentos de ansiedade relacionados com a doença e com a forma como o doente reage a essa realidade.

A equipa de Cuidados Paliativos pode abordar questões importantes, tais como “Quais são minhas esperanças para o futuro?” ou “O que valorizo mais na minha vida?”. É a resposta a perguntas como estas que podem ajudar o doente a tomar decisões ao longo de sua doença, de modo a que a parte final da doença seja o mais suave possível. Os profissionais podem também ajudar o doente a documentar as suas preferências de cuidados na forma de diretrizes antecipadas, por exemplo, com o testamento vital.

A preocupação é melhorar a qualidade de vida dos doentes, ajudar a gerir sentimentos de angústia física, psicológica e espiritual. Isto é especialmente útil quando os tratamentos médicos deixam de ter o efeito desejado, e o foco passa a ser o conforto e o alivio do sofrimento, se existir.

Como infelizmente tudo tem um fim, após a morte de uma pessoa com doença respiratória crónica que seja seguida em unidades de Cuidados Paliativos, os prestadores de cuidados paliativos também podem fornecer cuidados de luto para apoiar a família durante o processo de luto.

Última revisão: Julho 2022