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Bronquiectasias

As Bronquiectasias são uma doença pulmonar cujo principal sintoma é a tosse, normalmente acompanhada com expectoração, estando associada a infeções respiratórias recorrentes. Isto deve-se ao alargamento anormal dos brônquios, tal como o próprio nome indica. Em alguns casos, apenas uma área da árvore brônquica é afetada, mas em muitas situações a doença é mais extensa e bilateral.

O processo de formação das Bronquiectasias dá-se a partir de uma lesão direta ou indireta (geralmente uma infeção), que causa inflamação e destruição da parede do brônquio, que fica alargado.  A parede dos brônquios é revestida por projeções minúsculas semelhantes a pequenos pêlos (cílios), que através dos seus movimentos movem a camada de muco que reveste as vias aéreas para as vias aéreas superiores para ser expelida através da tosse.

Devido à alteração na conformação normal da árvore brônquica provocada por esta doença, é mais difícil que as secreções a nível respiratório sejam removidas, o que é um meio de crescimento fantástico, por exemplo, para as bactérias. Esta situação condiciona inflamação nessa área, o que potencia por sua vez o agravamento das bronquiectasias. É por isso que os médicos referem que se trata de ciclo vicioso.

A bronquiectasia é uma condição irreversível. Quando ocorre, existe uma alteração definitiva a nível dos brônquios.

Não existem dados disponíveis sobre a doença em Portugal. No entanto, sabemos que a prevalência vai aumentando com a idade, apesar de poderem existir em crianças.

Existem muitas causas de Bronquiectasias, incluindo doenças genéticas (como fibrose quística e discinésia ciliar primária), problemas com o sistema imunológico (capacidade reduzida de combater infeções), infeções pulmonares anteriores ou problemas com a deglutição causando aspiração de alimentos ou líquidos para os pulmões.

Mas não se restringem a estas, podendo estar associadas a um grande número de doenças.

Por vezes, nunca se consegue perceber bem o motivo porque existem Bronquiectasias! Estima-se que 40% das Bronquiectasias sejam idiopáticas, ou seja, sem causa conhecida.

O sintoma mais comum de uma Bronquiectasia é a tosse, que geralmente produz expectoração. A tosse é frequente, mas pode agravar de intensidade, e o doente também pode ter febre, calafrios, suores noturnos, cansaço e uma mudança na cor e na quantidade da expectoração. Quando isso acontece, é o que se define como uma exacerbação (ou agudização) das Bronquiectasias, necessitando de tratamento dirigido.

Entre as outras queixas mais referidas, indicamos a falta de ar, rouquidão devido à tosse, pieira, dificuldade em realizar esforços, dor torácica ou o mau hálito.

Estes sintomas geralmente desenvolvem-se ao longo de muitos anos, podendo agravar progressivamente com o tempo.

A Bronquiectasia é uma diagnóstico que necessita de um exame de imagem.

A radiografia do tórax poder permitir suspeitar que existe uma Bronquiectasia, mas geralmente é necessário um TAC torácico para confirmar a doença. Este exame revela a localização e gravidade da doença, bem como pode ajudar a perceber qual a origem deste problema.

Também poderá ser necessário um exame respiratório para perceber como as Bronquiectasias estão a influenciar a função respiratória.

O exame cultural da expectoração é um exame bastante requisitado, permitindo perceber se existe alguma bactéria que esteja consecutivamente a provocar agravamentos infecciosos das Bronquiectasias, o que pode ajudar à sua erradicação ou melhor tratamento. Nomeadamente, porque permitem perceber que antibióticos irão funcionar melhor para determinada bactéria.

Quando a doença é grave, e o doente não consegue expectorar, pode ser necessário realizar uma endoscopia brônquica, a broncoscopia, de modo a colher expectoração diretamente nas vias aéreas inferiores, o que tem melhor rentabilidade.

Para melhor esclarecimento da origem do problema, e dependente também da existência eventual de sintomas não respiratórios, podem também ser pedidas análises sanguíneas, endoscopia digestiva alta, entre outros.

Infelizmente, a Bronquiectasia não é reversível, mas pode ser tratada para reduzir os sintomas e tentar limitar a sua progressão. O tratamento pode evitar que a Bronquiectasia agrave e ajudar a interromper o ciclo vicioso provocado por infecções repetidas.

O tratamento pode ser dividido em duas partes:

■ Manutenção: o que o doente tem de realizar todos os dias. Isso inclui desde técnicas de desobstrução das vias aéreas, mudanças no estilo de vida ou medicações.

■ Exacerbações: O tratamento realizado quando existe uma agudização e existe uma mudança nos sintomas.

Manutenção

Dependendo da gravidade das Bronquiectasia e da quantidade de expectoração existente, o doente pode ser estimulado a frequentar sessões de cinesioterapia, com técnicas de vibração, utilização de dispositivos como o Cough-Assist, entre outros. O objetivo é favorecer a mobilização da expectoração de modo a atingir a traqueia e tornar mais acessível a sua expulsão.

Apesar de não ser recomendado o seu uso generalizado, alguns profissionais recomendam nebulização com soro de modo a humidificar as secreções.

Algumas mudanças a nível do estilo de vida são recomendadas: beber água, deixar o tabaco ou realizar exercício fisico.

Reabilitação Respiratória

Este tipo de programas pode ajudar doentes com Bronquiectasias a melhorar o controlo dos sintomas e da sua qualidade de vida. Podem também incluir técnicas de suporte na libertação da expectoração.

Cirurgia

Apesar de estar destinada a casos graves e muito específicos, pode ser possível remover a parte do pulmão que apresenta Bronquiectasias, desde que estas estejam localizadas e provoquem sintomas e muitas exacerbações.

Uma vez que se trata de um procedimento cirúrgico invasivo, é geralmente uma solução de último recurso.

Transplante Pulmão

Ainda menos frequente que o anterior, o transplante pulmonar, em que o pulmão doente da pessoa é substituído por outro saudável de um dador, apenas ocorre em situações muito raras, uma vez que é uma cirurgia complexa, que necessita que a pessoa faça medicação imunossupressora durante toda a vida e porque existem poucos órgãos disponíveis.

Tratamento da exacerbação

No caso da pessoa ter uma exacerbação, deve recorrer a um profissional de saúde para avaliação. Se possível, deve ser colhida expectoração para enviar para cultura.

De acordo com a avaliação pelo médico, pode ser necessário tratamento com antibiótico ou a utilização de medicação que torne a expectoração mais fluída.

Alguns doentes podem ter planos terapêuticos já definidos pelo seu médico e, desse modo, estão instruídos de quando devem começar o antibiótico.

Pequenas perdas de sangue com a expectoração podem acontecer. Caso sejam volumosas ou frequentes, o doente deve procurar ajuda. Doentes crónicos podem ter prescrito um medicamento que ajude a parar esse sangramento.

Situações mais graves podem necessitar de tratamento hospitalar e internamento para realizar antibioterapia endovenosa.

Última Revisão: Junho 2022